Inverno e imunidade

 
Estamos em pleno e gélido
inverno, em meio à histeria da "gripe suína" e precisamos cuidar do corpo e da alma para não sucumbrimos ao pânico.
 
É muito difícil passar incólume pela estação do inverno sem ter pelo menos um probleminha respiratório.
Mesmo que você esteja bem alimentado, cuidando do sistema imunológico, acontecem aquelas derrapadas: uma pizza com muzzarela ali, um chocolatinho quente aqui, aquele doce maravilhoso de abóbora cheio de açúcar… enfim, o organismo intoxicado tem que liberar esses veneninhos de alguma forma e, ajudado pela queda da temperatura, vai eliminar, possivelmente, por uma gripe – o muco tem que sair!


Abaixo seguem algumas receitas, todas elas de inspiração macrô, aprendidas por mim na década de 70, quando fui iniciada nos mistérios dessa maravilhosa filosofia oriental – mais tarde, abandonei o radicalismo da sua dieta e preferi a fusão com outras maravilhas, igualmente eficientes – como o vegetarianismo e o crudivorismo.

São elas para serem utilizadas, preferencialmente, ao sentir os primeiros sintomas, aquele cansaço, a sensação de que alguma coisa não vai nada bem dentro de você e que seu corpo e sua alma querem sossego, uma cama quentinha, um chazinho, um afago…

Chá de tansagem (ou tanchagem) – a tansagem é pau-pra-toda-obra: resfriado, gripe, dor de garganta, dor de ouvido, inflamação nos olhos, má digestão – o chá é feito com uma colher de sopa para meio litro de água fervente – coloque a erva num bule de louça ou esmaltado, verta a água por cima, aguarde de 5 a 10 minutos, coe e tome uma xícara 3 ou 4 vezes ao dia.
Para gargarejos, a quantidade da erva é duplicada, o chá tem que ser mais forte.
Atenção: o chá para crianças é sempre bem fraquinho – uma pitada de erva para uma xícara pequena de água fervente.

Chá de flor de sabugueiro: essa florzinha amarela e delicada controla a febre rapidamente, faz o corpo suar e eliminar as toxinas rapidamente. Também ajuda na cura das gripes e resfriados e pode ser usado, alternadamente, com a tansagem.
A maneira de fazer é igual e a dose, idem.

Gengibre – o chá feito com gengibre atua contra a gripe e também acaba com dores de garganta e rouquidão.
Para fazer o chá, use 3 a 4 fatias finas de gengibre, com a casca (é nela que está o princípio ativo, por isso prefira orgânico e caso não consiga, lave muuuuito bem) para meio litro de água; ferva 10 minutos, abafe, retire as fatias e tome uma xícara 3 ou 4 vezes ao dia. Pode adoçar com um pouquinho de mel de qualidade (não vá cair no conto do melzinho batizado com açúcar…)
Para gargarejos, faça o chá mais forte.
Quando estiver pronto, também é possível adicionar à xícara algumas gotas de limão ou ralar uma casquinha dele (se for orgânico, ok?).

Ameixa umeboshi – a umeboshi hoje não é mais um artigo raro, como nos anos 70, quando existia aqui no Brasil só da importada, caríssima e difícil de achar; lembro que nessa época, um senhor que trabalhava na macrô aqui da cidade, me deu uma só (do estoque dele) para eu fazer um remédio… era um tesouro mesmo!

Essa japonesinha em conserva dura muito tempo e deve ser usada apenas para efeitos medicinais: gripes e resfriados, problemas gástricos e dores de cabeça.
É da família do pêssego e ainda verde é colocada para fermentar com sal e após um ano e meio a três, torna-se um remédio que equilibra a acidez do corpo, desentoxica, é antibacteriana, antiviral, antioxidante e desinfetante.

Ume é o nome da ameixa.
boshi quer dizer conserva.

Ela funciona assim:

1) usada com banchá (folhas de 3 anos) e shoyu – as folhas verdes devem ser levemente tostadas e colocar uma colher de sopa para ferver em meio litro de água, por uns 10 minutos – quando sentir que a indisposição da gripe ou do resfriado está surgindo, beber o chá com uma colher de chá de shoyu (orgânico, sem açúcar, corantes e conservantes, não vale sakura) e uma umeboshi desmanchada;

2) banchá com gengibre e shoyu e ameixa umeboshi: dentro de uma xícara amassar uma ameixa pequena com caldo de gengibre ralado e espremido (um décimo da quantidade de ameixa) e uma colher (chá) de shoyu. Derramar banchá na mistura da xícara e beber em seguida;

3) para eliminar dores de cabeça, ela deve ser levemente tostada na chama do fogão e misturada ao banchá com gotinhas de shoyu;

4) com araruta: Ume-syo-Kuzu – uma ameixa japonesa salgada, uma colher de chá cheia de araruta, 3 colheres de chá de shoyu, uma de gengibre ralado e 3/4 de litro de água.
Esmagar a ameixa num quarto de litro e adicionar a araruta devagar; juntar o gengibre e o resto da água e ferver até a mistura tornar-se espessa (vá mexendo porque pode empelotar). Deixe esfriar um pouquinho e adicione o shoyu antes de beber.
Ótimo para resfriados, é reconstituinte e desintoxicante.
O caldo de araruta (Kuzu) é excelente contra diarréias e dores de cabeça provenientes de intoxicação: diluir uma colher de chá cheia da farinha de araruta em 2 ou 3 partes de água; adicionar, a seguir, um quarto de litro de água e ferver até ficar transparente (vá mexendo!) Adicionar gotas de shoyu. É um caldinho que combate a fraqueza, aquela moleza que nos derruba…

Chá de raiz-de-lótus – essa raiz pode ser encontrada seca ou natural (crua). Recomendada, principalmente, contra tosses.

 
Coloque 3 ou 4 fatias (maior quantidade se for seca) para ferver em meio litro de água por uns 10 minutos, abafe, retire as raízes (dá para comê-las, se desejar) e beba uma xícara 3 ou 4 vezes ao dia.
Pode-se fazer um chá conjunto com gengibre e lótus, fervendo os dois na mesma vasilha.
Se usar o chá de lótus, tome somente ele como líquido, evitando outros.
Ele também é excelente para pessoas que estão deixando de fumar, ajuda na eliminação.

Missô – assim como o shoyu, esse alimento feito com soja fermentada, também é medicinal, tanto que foi usado no Japão, logo depois que largaram por lá a bomba atômica que terminou com a guerra – com a função de eliminar a radioatividade do organismo.
Quando for tomar um caldo ou sopa, coloque antes no prato uma colher de chá de missô e derrube por cima o líquido, misturando bem. O líquido pode estar quente quando misturado à pasta, mas nunca a ferva, porque ela perde as enzimas que são o seu benefício.

O missô desintoxica, principalmente os pulmões (recomendado também para ex-fumantes).
Única ressalva: como contém muito sal não deve ser consumido demais por hipertensos (nem o shoyu) – aliás, quem não é hipertenso também não deve consumir em excesso, pois eles agem aqui como elemento medicinal, e sabe-se que a diferença entre o remédio e o veneno, é a quantidade!
 
 
 
 
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Sobre Vera Falcão

I'm a journalist, writer, vegetarian and I like a lot to read about Nutrition, Astrology and Sci-Fi. I was a singer for many years, now I just appreciate music. I have 3 children and one cat lives with us.
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